À moda inglesa

Animação britânica prova que existe vida além da computação gráfica


Vencedor de dois Oscar, Nick Park não teve dúvidas de qual filme iria produzir depois do enorme sucesso que foi A Fuga das Galinhas. Com a credibilidade ganha com o filme dos galináceos, Park decidiu então fazer um longa metragem de uma dupla bastante conhecida em terras britânicas. Esta dupla é ninguém menos que Wallace e Gromit. O primeiro é um inventor abobalhado, e o segundo, um astuto cão. Porém, houve um empecilho. Duvidava-se de que o ritmo que o curta possuía, não iria conseguir se enquadrar em quase duas horas de projeção. Entretanto, a produção mostra que os desacreditados estavam errados, pois ela consegue transmitir uma boa energia no início do filme, mas o mesmo não se pode ser dito na insípida conclusão.

Em A Batalha dos Vegetais, Wallace e Gromit são os responsáveis pelos vegetais de muitos habitantes de sua cidade. Todos ficam muito preocupados com a segurança de suas hortas, pois em dentro de alguns dias começa uma competição que premia os maiores legumes da cidade. O problema é que há um misterioso ladrão que desagrada a todos, e cabe a dupla o trabalho de sumir com essa praga.

Há um contexto politicamente correto na trama que deixa uma lição de moral para os pequenos. Lady Tottington (Helena Boham Carter), a anfitriã dessa premiação, contrata os atrapalhados pelo motivo que eles caçam as pragas de maneira com que os animais não morram. Inclusive, este é um dos motivos que confirma o fato dessa produção ser direcionada apenas para os menores. Em contraponto com produções anteriores, como Os Incríveis, Robôs e Shrek, A Batalha dos Vegetais possui elementos tão ingênuos que podem aborrecer os mais velhos.

O filme possui boas atuações coadjuvantes, Boham Carter consegue imprimir um charme em sua personagem e sua voz até possui um certo ar de aristocracia. Ralph Fiennes está eficiente em seu costumeiro papel de vilão britânico.

Mas o destaque vai mesmo para Gromit. Como o cão não diz nada, todo a sua emoção é tem que ser demonstrada através de pequenos gestos. Como na cena em que ele, logo após de ter feito uma descoberta, olha apreensivo para Wallace. Inclusive, esse perfeccionismo reflete também nas maquetes muito bem elaboradas. As cenas noturnas, e aquelas que se passam dentro da estufa da Lady Tottington são as que merecem maior destaque, sejam pelos detalhes meticulosamente aplicados ao cenário, ou pela criatividade abundante no filme.

Entretanto, o filme deve ser visto como mero entretenimento. A sua narrativa é por diversas vezes extensa, e em se tratando de longa de animação, desperdício de tempo é crucial. Por causa disso, o desenrolar do filme ocorre todo em seu clímax, o que acaba resultando em uma conclusão bruta e insossa.

Contudo, o humor típico britânico consegue disfarçar essas imperfeições e o saldo da produção se torna positivo. Com algumas referências a clássicos como King Kong, A Batalha dos Vegetais é um bom filme, e que vai agradar não só aos fãs mais ardorosos da animação, como também aos pequenos. O típico filme à moda inglesa.

Wallace e Gromit - A Batalha dos Vegetais
Wallace & Gromit: The Curse of the Were-Rabbit

Inglaterra, 2005
Animação

(por Marco Paiva em 2005)

Direção: Steve Box e Nick Park
Roteiro: Bob Baker, Steve Box, Mark Burton e Nick Park

Elenco:
Wallace (Peter Sallis)
Victor Quartermaine (Ralph Fiennes)
Lady Tottington (Helena Boham Carter)
Sra. Mulch (Liz Smith)
Reverando Hedges (Nicholas Smith)

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