Uma
das causas do sucesso de filmes de terror se deve ao fato
de que, além de fazer-nos refletir sobre a nossa mortalidade,
ele questiona sobre os nossos medos e como nós reagimos a
isso. Por isso que os fantasmas são personagens tão presentes
no ramo da sétima arte. Além de ser um assunto em que não
temos conhecimento, gera dúvidas. Vozes do Além
é um filme que utiliza essa premissa do contato do mundo vivo
com o mundo morto. Apesar de ser um assunto bastante explorado
pela indústria cinematográfica, há ainda muitas outras vertentes
a serem trabalhadas. Porém, o que prometia ser uma boa análise,
se transformou em um festival de chavões.
Michael
Keaton é Jonathan Rivers, um arquiteto
cuja esposa morreu recentemente. Ainda abalado com a perda,
lhe é oferecida a proposta de entrar em contato com ela através
do FVE, Fenômeno da Voz Eletrônica. Cético,
Jonathan evita tentar qualquer meio de comunicação sobrenatural.
Mas, com saudades da mulher, ele aceita. Com o passar do tempo,
o que era pra ser apenas temporário, se torna uma obsessão.
O grande problema
reside na forma como a narrativa é conduzida. Com anseio de
assustar o público, certos elementos da história são elaborados
na tentativa de aumentar a tensão e o suspense. Se a produção
se focalizasse apenas no drama, o filme soaria bem mais interessante
e condizente com a verdade. Afinal, mesmo que não sejam comprovados
cientificamente, os dados a respeito do FVE descrevem apenas
um contato com pessoas falecidas, e não avisos sobre as próximas
vítimas a morrer (episódio que ainda causa problemas no roteiro).
Outro ponto
negativo é a má atuação de Keaton, que expôs toda a sua competência
em vários filmes, como Beetlejuice.
Ele está totalmente inexpressivo neste seu novo trabalho,
o que confirma, claramente, ser erro de direção. Quando há
dúvidas de que sua esposa tenha sido realmente morta – cogitam
a possibilidade de um seqüestro – ele não demonstra nenhum
sinal de tristeza. Algo que destrói boa parte do já danificado
contexto dramático.
Inclusive,
a relação entre ele e a família foi completamente superficial.
Se não houvesse tempo, ou habilidade, pra desenvolver um aprofundamento,
seria melhor descartar esse envolvimento. Sem mencionar o
fato de que, depois que Jonathan fica obcecado por esse novo
passatempo, não é revelada ao público o que houve com seu
lado profissional. Em um momento, ele diz para adiar os seus
compromissos, mas e os outros dias? Por qual motivo não explicaram
que ele estava se prejudicando por essa compulsão pelo novo
hobby?
Se o desenvolvimento
do filme é duvidoso, o seu clímax sofre do mesmo problema.
Vozes do Além aposta no incomum e no estranho, só
para surpreender o espectador, fato que não funciona. Para
tentar se redimir, a produção se esmera na parte estética.
Há algumas boas edições, efeitos especiais na medida certa
e uma fotografia adequada.
Porém, isso
não é o suficiente para salvar o filme e, quando acaba, fica
aquela sensação de que poderia ser melhor. O FVE é, sem dúvida,
interessante e conveniente para o gênero dramático e ou suspense.
Mas do jeito que foi mostrado ao público, o desinteresse ao
fenômeno vai ser bem forte, infelizmente.
Vozes
do Além
White Noise
EUA, 2005
Suspense
(por Marco Paiva em 2005)
Direção:
Geoffrey Sax Roteiro: Niall Johnson
Elenco:
Jonathan Rivers (Michael Keaton)
Anna Rivers (Chandra West)
Sarah Tate (Deborah Kara Unger)
Raymond Price (Ian McNeice)