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Comédia de Cameron Crowe é como suas outras produções: divertida, emocionante e com uma boa trilha sonora


Qual é a diferença entre um fracasso e um fiasco? Logo no início da projeção o personagem de Orlando Bloom explica a diferença entre essas duas palavras. Para ele, um fracasso é um acontecimento que pode ocorrer com qualquer um, enquanto que um fiasco é um evento de proporções caóticas. Felizmente, pode-se dizer que a mais nova obra de Cameron Crowe não segue nenhuma das duas definições. Subestimado pela crítica especializada, Tudo Acontece em Elizabethtown só pode ser considerado regular quando comparado com as obras anteriores de seu criador (Jerry Maguire e Quase Famosos). Analisado individualmente, o filme é, além de uma boa diversão, um ótimo exemplo de uma comédia romântica bem executada.

Drew Baylor (Bloom) é um designer de tênis, que após provocar um prejuízo de 972 milhões de dólares, decide dar um fim na própria vida. Entretanto, antes de se suicidar ele recebe uma ligação da irmã avisando que seu pai faleceu em sua cidade favorita, Elizabethtown, enquanto visitava seus familiares. Por isso, o designer interrompe seus planos e viaja para a cidade a fim de ajudar a organizar o funeral. Durante o vôo, ele conhece a aeromoça Claire que tenta ajuda-lo a dar uma nova perspectiva ao seu futuro, mesmo que, em questão de tempo, todos saibam do gigantesco fiasco de Drew.

É bem verdade que a presença do limitado Bloom poderia prejudicar a qualidade do filme. Mas, felizmente, a direção de Crowe é segura o suficiente para mantê-lo na linha. Enquanto isso, Kirsten Dunst desempenha tão bem seu papel no filme que se assemelha com uma Amélie Poulain mais extrovertida. Preocupada em sempre olhar o lado positivo das situações, ela é responsável por um dos melhores momentos da produção. Susan Sarandon parece estar bem à vontade como a inexperiente mãe de Drew que resolve fazer tudo ao seu alcance quando seu marido morre. Sarandon chega até a apresentar um discurso bem incomum em um momento do longa, mas condizente com a proposta da situação.

O maior erro do filme se diz respeito a sua longa duração. Além de ser desnecessária, ela acaba fazendo com que a história se arraste, resultando em uma diminuição do ritmo da narrativa e perda da atenção da platéia.

Em contraponto, a quantidade de subtramas são uma boa pedida. Através delas ficamos sabendo mais a respeito da família de Drew, assim como o próprio personagem. Essa técnica auxilia a criar uma empatia entre espectador e protagonista já que assim, o público sentiria as mesmas emoções quando soubesse da irresponsabilidade de um dos primos, a desonestidade de um dos tios e outras coisas.

Portanto, pode-se dizer que a empreitada de Crowe em uma comédia romântica foi, não só bem sucedida, como ainda ensinou como fazer um filme do gênero. De acordo com o que o trailer apresentava, o projeto parecia ser de uma qualidade questionável. Mas em se tratando do cineasta, a única certeza que se pode ter é que a produção terá uma irresistível trilha sonora. E Tudo Acontece em Elizabethtown não é uma exceção à regra.

Tudo Acontece em Elizabethtown
Elizabethtown

EUA, 2005
Comédia

(por Marco Paiva em 2005)

Direção: Cameron Crowe
Roteiro: Cameron Crowe

Elenco:
Drew Baylor (Orlando Bloom)
Claire Colburn (Kirsten Dunst)
Hollie Baylor (Susan Sarandon)
Phil DeVoss (Alec Baldwin)
Bill Banyon (Bruce McGill)
Heather Baylor (Judy Greer)
Jessie Baylor (Paul Schneider)
Ellen Kishmore (Jessica Biel)

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