Muitos
personagens, informações a todo minuto e diversas tramas paralelas
fazem de Syriana um filme bastante confuso
O diretor Stephen Gaghan queria que Syriana
– A Indústria do Petróleo refletisse os problemas
e a complexidade dos dias atuais em relação ao mercado petrolífero.
De acordo com o cineasta, ele queria que seu novo longa fosse
um retrato fiel do mundo pós - 11 de setembro. Através de
tramas paralelas, seus personagens não seguiriam a tradicional
curva de crescimento. Gaghan queria também acabar com o estereótipo
de “mocinho e vilão”. Todos esses métodos foram utilizados
para apresentar ousadias em relação a sua narrativa em comparação
com a mesmice que habita as recentes produções cinematográficas.
Até então essa
foi uma boa idéia. O problema foi o exagero do diretor. Ao
incluir nada menos que 70 personagens, todos com a mesma importância,
Gaghan dificulta o envolvimento do espectador com o filme.
Ao quebrar esse paralelo, o cineasta, praticamente, dá um
tiro no próprio pé. O que poderia ocorrer nesse thriller
político é esclarecer mais as coisas, justamente para poder
enfatizar o que ocorre por trás do mercado de petróleo. Mas
o que acontece é exatamente o contrário. A audiência passa
o filme inteiro tentando adivinhar quem está fazendo o que,
com quem e por que.
Felizmente,
os atores dão um show à parte. George Clooney,
na melhor fase de sua carreira, interpreta um ex-agente da
CIA. As seqüências em que aparece são fortes, convincentes
e impactantes. Matt Damon também surpreende
ao mostrar a sua melhor atuação em uma produção. Não são poucas
as cenas em que o público deixa de ver o ator especializado
em filmes comerciais e começa a enxergar um analista econômico.
Até o novato Mazhar Munir é forte na sua
atuação de um futuro homem-bomba.
Apesar de ser
difícil de resumir, a história de Syriana – A Indústria
do Petróleo se resume a fusões de empresas corporativas,
suspeitas de espionagem, corrupções, tomada de poder, homicídio
e nascimento de suicidas. Ao informar o espectador, a produção
não hesita em apresentar informações, discursos complexos,
dados, estatísticas e jargões econômicos a todo o momento.
Ao concluir
as diversas tramas paralelas, Gaghan se justificou por deixar
as questões em aberto para incomodar as pessoas e fazer com
que elas se lembrem da produção. É bem provável que o longa
vá incomodar os espectadores, mas não pelo sentido que ele
queria. Para os mais curiosos, será necessário uma segunda
conferida ao filme, o que pode não ser muito agradável quando
o tema do longa é de natureza política econômica.
Entretanto,
o cineasta já merece os parabéns por ter a ousadia de trabalhar
com um tema tão difícil e elaborado quanto esse. O problema
foi, justamente, complicar ainda mais essa abordagem. Em tempo:
o filme não menciona o significado de syriana, mas, pesquisando,
pode-se achar que o termo remete a uma nação que possa se
assemelhar com um determinado país, algo como uma nação-cópia.
Syriana
- A Indústria do Petróleo
Syriana
EUA, 2005
Drama/Suspense
(por Marco Paiva em 2006)
Direção:
Stephen Gaghan Roteiro: Stephen Gaghan
Elenco:
Robert Baer (George Clooney)
Bryan Woodman (Matt Damon)
Julie Woodman (Amanda Peet)
Bennet Holiday (Jeffrey Wright)
Jimmy Pope (Chris Cooper)
Stan Goff (William Hurt)
Wasim (Mazhar Munir)
Danny Daulton (Tim Blake Nelson)
Dean Whiting (Christopher Plummer)
Príncipe Nasir (Alexander Sidding)