O Sorriso de Mona Lisa

Como se faz um filme de sucesso? Basta pegar um bom ator que interprete um personagem que tenha uma vontade de mudar o mundo e passe por diversas dificuldades. É um filme previsível, e piegas em alguns momentos do longa. E é por isso que O Sorriso de Mona Lisa é o que é. Sem nenhuma ousadia por parte do roteirista, o filme se assume como uma versão feminina de A Sociedade dos Poetas Mortos. O problema é que, os filmes se assemelham em tantos aspectos que talvez esse tenha sido o motivo desta produção ter fracassado nas bilheterias. E como o filme do Robin Williams é mais antigo, este trabalho da famosa atriz Julia Roberts se caracteriza como um constante déja vu.

Roberts interpreta a professora de arte Katherine Watson, que começa a lecionar em um rigoroso colégio feminino no início da década de 50. Nesta escola, todas as estudantes sonham apenas em se casar e serem donas de casa. Indignada com a conduta submissa das garotas, Katherine tenta mudar essa atitude através das suas aulas. Afinal, para ela a arte pode ser vista de acordo com o que você vê, e não como os outros querem.

As atuações são os únicos motivos do filme não ser uma lástima total. Apesar de Roberts estar em uma interpretação normal, Julia Stiles e Maggie Gyllenhaal não conseguem fazer muito devido ao fato de seus personagens não terem uma profundidade competente, mas com o pouco que têm, elas conseguem se destacar.

E o maior motivo desta produção ser este fracasso é o roteiro, repleto de furos e clichês. Podemos falar sobre o fato de o personagem de Kirsten Dunst usar o seu jornal para desmoralizar Katherine. Se o intuito dela é de denunciar as atitudes imorais dos professores por que ela não fez o mesmo com o professor italiano que dormia com as alunas sem assumir nenhum compromisso com as mesmas?

Sem mencionar o forçado triângulo amoroso que envolve a protagonista. Afinal, por que Katherine, uma semi feminista, tem problemas ao escolher o seu parceiro? Sendo que um deles é um cara sensível e compreensível, enquanto o outro é mulherengo e machista. Será que essa escolha não seria meio óbvia?

Apesar de possuir uma boa produção, faltou ousadia e criatividade por parte do diretor e roteirista em O Sorriso de Mona Lisa. Se Julia Roberts só participou de produções lamentáveis depois que ganhou o Oscar (com a exceção de Closer – Perto Demais), não foi com este filme que ela mostrou ao público o seu talento e carisma.

O Sorriso de Mona Lisa
Mona Lisa Smile

EUA, 2003
Drama

(por Marco Paiva em 2005)

Direção: Mike Newell
Roteiro: Lawrence Konner e Mark Rosenthal

Elenco:
Katharine Watson (Julia Roberts)
Betty Warren (Kirsten Dunst)
Joan Brandwyn (Julia Stiles)
Giselle Levy (Maggie Gyllenhaal)
Bill Dunbar (Dominic West)
Nancy Abbey (Marcia Gay Harden)
Tommy Donegal (Topher Grace)

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