Ausente
das telonas desde O Quarto do Pânico,
Jodie Foster retorna ao cinema em
Plano de Vôo. Dona de dois Oscar, a atriz diz
que só aceitou participar do filme por causa do medo primário
de ser responsável pela vida de uma criança, que era o mesmo
mote do seu último filme até então. Semelhanças à parte, a
produção segue muito bem sua premissa no início do filme.
O “porém” da projeção se encontra no fraco desenvolvimento
da trama, na péssima atuação dos coadjuvantes, principalmente
a sofrível interpretação do antagonista, e nos clichês do
gênero o qual o filme se entrega ao final da produção. Então,
o que é realmente relevante nesta produção? A resposta é:
nada!
Kyle
Pratt (Foster) é uma engenheira que está emocionalmente
abalada com a morte do seu marido. E em meio a uma viagem
para Berlim, ela decide direcionar toda atenção para a filha,
a fim de deixar a criança menos abatida com a perda. Entretanto,
quando a mãe dorme, a menina simplesmente desaparece. E para
piorar ainda mais a situação, não há nenhum registro de que
ela tenha realmente embarcado. Kyle faz de tudo para encontrar
sua filha, e manter em mente que, ao contrário do que todos
pensam, não está enlouquecendo.
Foster é uma
atriz carismática, isso não há dúvida, mas é impossível segurar
um filme todo em suas costas (Semelhante ao que aconteceu
com Sandra Bullock em Miss Simpatia
2). Sua atuação é boa, mas tudo parece conspirar
para o seu fracasso. Sua filha é totalmente limitada, e não
tem como sentir um apego sentimental quando ela desaparece.
Os personagens secundários são incompetentes, até mesmo Sean
Bean decepciona. E o antagonista revela uma interpretação
tão eficiente quanto um saco de batatas poderia apresentar.
Isso é de decepcionar o espectador que esperou três anos para
acompanhar o longo retorno da atriz ao cinema.
O roteiro,
como já foi mencionado, perde um pouco no desenvolvimento,
mas possui alguns pontos positivos. Em um momento do longa,
surge uma discussão que envolve um homem de aparente nacionalidade
árabe. Ela merece ser destacada pelas reações com que os outros
passageiros apresentam, e por alguns diálogos inspirados.
Mas infelizmente isso dura pouco, e em questão de tempo o
roteiro mostra a sua fragilidade no insosso clímax.
Sem utilizar
o mesmo clima claustrofóbico de Vôo Noturno,
Plano de Vôo inicia bem, mas conclui vergonhosamente.
Resta ao espectador sentar e esperar pela escolha do próximo
projeto de Jodie Foster. E torcer para que, pelo menos esse,
mereça a sua participação.
Plano
de Vôo
Flightplan
EUA, 2005
Suspense
(por Marco Paiva em 2005)
Direção:
Robert Schwentke Roteiro: Billy Ray e Peter A. Dowling