Comédia
independente conquista o público com suas neuras, manias e
crenças
A pequena Olive (Abigail Breslin) é chamada para participar
de um concurso de beleza (que dá título ao filme) em Califórnia.
A família não chegará facilmente, considerando que moram em
Arizona. Depois de uma breve discussão, é decidido que toda
a família irá acompanhar a desajeitada garotinha nesta viagem
por meio de uma van amarela.
Esta é a história
de Pequena Miss Sunshine. Uma comédia
sobre a vida de uma família à beira de um ataque de nervos.
O pai amargura fracasso atrás de fracasso com a venda do seu
livro, a mãe estressada sofre ao tentar manter a família em
harmonia, o filho utiliza sua ideologia como uma forma de
rebeldia, o tio se deprime com um ex-amor, o avô porra louca
cansa da mesmice da vida e a filha insegura torce para não
ser uma perdedora. Para eles, o “american way of life” é um
mito criado pela sociedade.
Filmado em
apenas 30 dias, a produção lembra os personagens de Os
Excêntricos Tenenbaums metidos em um road movie.
Mas com um diferencial: a competitividade ganha maior atenção
no cotidiano da família encabeçada por Richard (Greg Kinnear).
Ele não hesita em discursar sobre o sucesso e o fracasso –
o que chega a ser irônico, já que seu livro que ensina a chegar
ao sucesso não consegue ser publicado por uma editora. Outro
fato curioso é o gosto literário dos personagens. O tio Frank
(Steve Carrel) e o sobrinho Dwayne (Paul Dano) idolatram,
respectivamente, o escritor francês Marcel Proust e o filósofo
alemão Friedrich Nietzsche. Essa bagagem cultural mostra que,
ironicamente, o tio (suicida) e o sobrinho (praticante do
voto de silêncio) são os mais equilibrados da família – a
conversa dos dois no terço final do filme prova essa avaliação.
As atuações
são outro grande destaque do filme. Alan Arkin, do brasileiro
O Que é Isso Companheiro?, traz
vida para seu personagem. Correndo o risco de cair no caricato,
o ator dá uma nova roupagem para um papel tão unidimensional
e é responsável pelos momentos mais cômicos do filme, como
a sua revolta ao comer frango e seus conselhos sexuais na
Kombi. Toni Collette prova a sua versatilidade ao fazer um
personagem “sério” em um filme cômico. Dano e Kinnear estão
em ótimas performances, e Carrel está completamente diferente
– mas igualmente hilário - do seu chefe Michael em The
Office. Mas o destaque é a adorável Breslin.
Sua Olive possui um charme tão irresistível que, quando recusa
um sorvete ou duvida de sua aparência, é impossível não se
apegar a ela.
Possuindo desnecessárias
gags físicas que permeiam todo o filme, a produção se apresenta
diferente das outras comédias recentes. O clímax, embalado
pelo hit SuperFreak de Rick James, comprova essa derrota do
ideal e da conformidade. Pequena Miss Sunshine trata
de autenticidade, e mesmo que falhe aqui e ali, é a originalidade
que vence no final.
Pequena
Miss Sunshine
Little Miss Sunshine
EUA, 2006
Comédia
(por Marco Paiva em 2007)
Direção:
Jonathan Dayton e Valerie Faris Roteiro: Michael Arndt
Elenco:
Abigail Breslin (Olive)
Greg Kinnear (Richard)
Toni Collette (Sheryl)
Steve Carell (Frank)
Paul Dano (Dwayne)
Alan Arkin (Avô)