Drama
de Roman Polanski valoriza a técnica em detrimento da emoção
Depois de produzir o aclamado O Pianista,
o cineasta Roman Polanski, informou que seu
próximo projeto seria uma adaptação de um clássico de Charles
Dickens, o romance Oliver Twist.
Mas por qual motivo surgiu essa idéia de uma recriação de
um livro que já possui seis adaptações para o cinema? A resposta
é bem simples. Polanski ouviu uma sugestão de sua esposa que
aconselhava o diretor a escolher um tema menos polêmico para
o seu próximo projeto, isto é, que toda sua família pudesse
ver junta. O resultado é uma obra bem conservadora em relação
aos seus outros trabalhos e também uma obra sem alma e insípida.
Oliver (Barney
Clark) é um pobre órfão que acaba expulso de um orfanato
por ter a ousadia de pedir para repetir o jantar. Vendido
para a família de um coveiro, Oliver foge quando tem a oportunidade
e resolve ir para Londres. Graças a ajuda de um outro garoto
(Harry Eden), ele consegue se estabilizar
como um ladrão liderado por Fagin (Ben
Kingsley), um velho judeu. Entretanto, tudo muda
quando o jovem conhece o polido Sr. Brownlow
(Edward Hardwicke), e tem esperanças de,
novamente, voltar a ter uma família. Fagin, por outro lado,
teme que o garoto possa denunciá-lo para polícia e, junto
com Bill (Jamie Foreman),
planeja atormentar a vida do pequeno órfão.
Polanski se
limitou apenas na recriação da obra, esquecendo de incluir
o drama que a história possui. Dirigido da mesma forma que
os dois primeiros filmes de Harry Potter,
o cineasta opta por não criar nenhuma ousadia no roteiro,
se limitando apenas a transpor o livro como filme e esquecendo
de dosar as partes dramáticas. Vale citar que o erro deste
filme, é o mesmo das outras adaptações desse famoso clássico.
O que realmente
vale a pena no filme é a atuação do protagonista e do excepcional
Kingsley que, ao contrário dos outros filmes, assume uma postura
mais humana e menos cruel do que as outras obras. A direção
de arte e a parte técnica da produção são muito bem elaboradas
e merecem ser destacadas. Mas infelizmente, esses fatores
não cooperam para suprimir a ausência de emoção em Oliver
Twist. É uma ironia que, a obra mais dramática e uma
das mais polêmicas de Dickens, tenha assumido um caráter tão
insosso como essa do diretor polonês.