Qualquer
pessoa que tenha ido ao zoológico, sabe que quem é a estrela
é definitivamente o leão. Basta apenas um rugido para que
a decepção de ter visto macacos se coçando, jacarés dormindo,
e outros animais descansando, suma. Além disso, a regalia
que esses animais levam, é basicamente a sua vida rotineira.
E a zebra Marty (dublado por Chris
Rock e na versão brasileira por Felipe Grinan),
é um desses animais domesticados que, em uma crise de meia
idade, decide deixar Nova York em busca de uma vida
mais selvagem. E é a partir dessa premissa que a mais nova
criação do estúdio da Dreamworks, a comédia animada Madagascar
se desenvolve.
Assim
que a zebra Marty deixa a Big Apple, seus amigos:
o leão Alex (Ben Stiller/Alexandre
Moreno), a hipopótama Glória (Jada
Pinkett Smith/ Heloísa Perissé)
e a girafa Melman (David Schwimmer/Ricardo
Juarez) vão atrás dela, e em questão de tempo, eles
acabam parando acidentalmente na ilha de Madagascar. Depois
que os animais se acomodam, a sensação de "peixe fora
d'água" dá espaço para o instinto selvagem, que é uma
característica de todos os animais que vivem em seu habitat
natural. A lei do mais forte é a que prevalece e é justamente
contra isso que o filme se desenvolve. Alex, carnívoro por
natureza, sente saudades de seus bifes e tenta se controlar
para não atacar seus amigos.
Um dos pontos
altos do filme se deve ao seu visual. O estilo cartunesco
do filme faz com que as ações praticadas pelos personagens,
como a trupe dos pingüins, se tornem mais verossímeis. Inspirado
nos clássicos de Chuck Jones e Tex
Avery (os criadores de Looney Tunes),
o visual adotado pelo filme se contrapõe contra o realismo
que vinha sendo aspecto obrigatório em filmes de animação.
Porém, com
tantos pontos positivos, Madagascar falha ao elaborar
com eles. O seu visual apesar de impecável, não é trabalhado
como deveria ser. Os momentos em que a selva é apresentada
ao público são raros e quase não são desenvolvidos. O que
é lamentável, principalmente quando percebemos o quão rico
os personagens são e como o ambiente deles poderia ser. A
história, apesar de criativa, se afunda em clichês com o desenrolar
do filme e o final é decepcionante.
Por esses motivos,
Madagascar é o exemplo clássico de uma produção que possui
uma boa premissa, bons personagens, mas que não inova. Um
produto feito somente para divertir e entreter. Felizmente,
o filme funciona nestes quesitos.
Madagascar
Madagascar
EUA, 2005
Animação
(por Marco Paiva em 2005)
Direção:
Eric Darnell e Tom McGrath Roteiro: Mark Burton e Billy Frolick