Apesar
de possuir um roteiro cheio de clichês, longa de Ron Howard
ganha força graças a seu elenco
Não é de hoje que se percebe que as vidas de muitas pessoas
resultam em bons filmes. Cheias de reviravoltas, intrigas
e surpresas a história de vida de diversas celebridades viraram
filmes. Para citar breves exemplos pode-se lembrar de Ray,
O Aviador, O Povo Contra
Larry Flint, Olga e Cazuza.
Porém, como nem tudo é perfeito, ocorre algumas adaptações
das histórias para se enquadrar melhor nos filmes. Mas o que
ocorre em A Luta Pela Esperança
é demais. O antagonista tem todas as suas características
transformadas para que o filme seguisse, como um bom aluno
disciplinado, a fórmula da típica produção americana. Entretanto,
é exatamente isso que salva o projeto.
Assim que dá
início a projeção, o filme alerta que nunca houve na história
do boxe uma história tão emocionante como aquela de James
J. Braddock, interpretado por Russel Crowe.
O pugilista é considerado por muitos como um dos mais talentosos
e é um forte candidato ao título mundial. Infelizmente, depois
da crise de 29, Braddock já não é mais o mesmo. Ele frequentemente
perde suas lutas com uma larga diferença de pontos e começa
a fazer bicos em uma doca para compensar a falta de dinheiro.
Sua família começa a apresentar sinais de fome e desespero,
e é em uma luta arranjada por seu antigo empresário, Joe
(Paul Giamati), que Braddock vê chances de
esperança.
Como já foi
mencionado, o filme não apresenta nenhuma ousadia em relação
a sua narrativa. Entretanto, o filme merece pontos pela atuação
de seu elenco. Crowe consegue apagar a sua má fama, e representa
com muita sinceridade o protagonista. Giamati provavelmente
será indicado para o Oscar de Ator Coadjuvante, pois seu desempenho
nesta produção é uma de suas melhores atuações. Renée
Zellweger como Mae também merece
um destaque, mas acaba ficando apagada diante dos dois.
Ron
Howard realiza uma direção segura e deve-se destaque
também para a bem elaborada edição de som que, principalmente
nas lutas, ajuda o espectador a entender a delicada situação
de Braddock e sentir a mesma dor que ele.
Mas o maior
erro de A Luta Pela Esperança é a caracterização
de seus personagens secundários. O personagem Mike,
por exemplo, não traz nenhuma relevância para a história e
parece estar lá apenas para prolongar a duração do filme.
Outro personagem que também decepciona é Max Baer.
Sua construção é tão inverídica que suas ações são adaptadas
para se enquadrar no tipo vilão-asqueroso. Cita-se muitas
vezes, durante o longa, que ele matou duas pessoas enquanto
lutava, mas o filme simplesmente omite a ajuda que ele prestou
para as famílias desses pugilistas pagando até escola para
os filhos.
Mesmo com esses
tropeços, A Luta Pela Esperança oferece um bom entretenimento,
e apesar de cair na mesmice, torna-se impossível não se emocionar
com os atos do protagonista. Até o final da projeção, o público
torcerá impacientemente pela boa sorte do pugilista, mesmo
sabendo como tudo acabará.
A
Luta Pela Esperança
Cinderella Man
EUA, 2005
Drama
(por Marco Paiva em 2005)
Direção:
Ron Howard Roteiro: Cliff Hollingsworth e Akiva
Goldsman
Elenco:
James J. Braddock (Russel Crowe)
Mae Braddock (Renée Zellweger)
Joe Gould (Paul Giamati)
Max Baer (Craig Bierko)
Mike Wilson (Paddy Considine)
Jimmy Johnston (Bruce McGill)