Com
Os Incríveis, o estúdio prova de uma vez por todas que é a
empresa mais bem sucedida no ramo de animações
A cada trabalho, a Pixar se firma como o
maior estúdio de animação e deixa para trás, empresas de nome
como a Disney, que amarga fracassos e se
empenha para manter a parceria com o grupo. Acumulando sucessos,
a Pixar tem esse prestígio com a crítica e o público graças
a sua precaução com o roteiro e a sua animação computadorizada.
Os pêlos de Sulley de Monstros
S.A. e o mar em Procurando Nemo,
são alguns dos desafios que a empresa se esforça para superar
e consegue realizar com êxito. Mas o obstáculo da sua mais
nova produção, Os Incríveis, era
a criação de seres humanos. Para contornar esse problema,
o estilo caricato que foi utilizado evita criar uma aparência
real, mas mantém movimentos humanos, tais como suspiros, acenos
de cabeça e outras sutilezas.
Super Herói
é algo bastante corriqueiro no universo de Os Incríveis,
porém depois de uma série de processos, o governo inicia uma
ação de “esconde heróis” em que os poderosos seres eliminam
a sua heróica identidade e mantém a vida comum de antigamente.
Beto Pêra (interpretado por Craig
T. Nelson na versão original e Márcio Seixas
na versão dublada) o antigo Sr. Incrível,
trabalha numa seguradora. Casado com Helena
(Holly Hunter / Márcia Coutinho),
o casal e seus três filhos vivem numa casa no subúrbio. Em
um dia, Beto é convidado a prestar seus heróicos serviços
e fica maravilhado com a oportunidade de reviver os dias de
glória.
A direção de
Brad Bird e a competente trilha sonora de
Michael Giacchino acrescentam vivacidade ao filme.
As cenas de ação, como a corrida das mil milhas do Flecha
(Spencer Fox/ Bernardo Coutinho),
os cenários e os planos geniais tiram o fôlego do espectador
pela sua grandeza.
Além disso,
as tiradas do filme são ótimas. A vida rotineira dos heróis
é posta em prova quando Beto tem que controlar a sua admirável
força ao fechar a porta do carro, ou quando Helena, a Mulher
Elástica, olha com profundo pesar para seu enorme
traseiro.
Recheado de
piadas, ele ainda consegue ser o filme mais adulto da empresa.
Aborda questões que muitos filmes considerados adultos temem
em trabalhar. Um exemplo é o aprofundamento dos personagens,
mesmo que tenham um visual caricato. Basta perceber a metáfora
dos seus super-poderes: o pai tem a super força, como todos
os filhos idealizam seus pais; a mãe é elástica, porque todas
as mães têm de se desdobrar para fazer várias coisas ao mesmo
tempo; Violeta (Sarah Vowell/Lina
Mendes) é invisível porque é uma típica adolescente
insegura que as vezes gostaria de desaparecer; Flecha é veloz
pois toda criança é hiperativa e elétrica; e Zezé
não tem poder, pois todos os bebês têm um potencial não realizado
que com o tempo se sobressai.
A personagem
coadjuvante Edna Moda tem participação hilária
e o único pesar no filme é o sub-aproveitamento do papel de
Samuel L. Jackson (Gelado).
Com tantos pontos positivos, Os Incríveis mostra
que a Pixar ainda não perdeu a mão e que a sua competência
é, assim como o filme, incrível!
Os
Incríveis
The Incredibles
EUA, 2004
Animação
(por Marco Paiva em 2005)
Direção:
Brad Bird Roteiro: Brad Bird
Elenco:
Roberto Pêra / Sr. Incrível (Craig T. Nelson)
Helen Pêra / Mulher-Elástica (Holly Hunter)
Lucius Best / Gelado (Samuel L. Jackson)
Síndrome (Jason Lee)
Flecha Pêra (Spencer Fox)
Violeta Pêra (Sarah Vowell)
Edna Moda (Brad Bird)