Quarto
episódio da saga Harry Potter é esteticamente bonito, mas
em termos de adaptação...
Uma série tão lucrativa como a de Harry Potter,
é vista pelos produtores com o maior cuidado. Cuidado na escolha
de um bom elenco, cuidado na escolha de um bom diretor e cuidado
para não fazer uma adaptação decepcionante. Infelizmente,
esse não é o caso de Harry Potter e o Cálice de
Fogo. Tratado como um mero thriller, o cineasta
Mike Newell optou por condensar o quarto
livro da série em apenas um filme, e não em duas partes como
seria inicialmente. De acordo com o cineasta, ele se espelhou
em Peter Jackson que tirou muita coisa do
livro Senhor dos Anéis para caber
em pouco mais de três horas de filme. Entretanto, o diretor
preferiu colocar partes desnecessárias no filme, e cortar
seqüências que fizeram falta.
Harry Potter
(Daniel Radcliffe), estudante do quarto ano
da escola de magia e bruxaria Hogwarts descobre
que sua escola será a sediadora do famoso Torneio Tribuxo
após conhecer alunos de outras escolas, como Beuxbatons
e Durmstrang. Essa competição se baseia na
escolha de um bruxo, acima de 17 anos, que represente sua
respectiva escola em uma série de três desafios. O vencedor
não terá somente reconhecimento, mas também glória eterna,
o que propicia um clima de competitividade entre os adversários.
O problema é que além dos três eleitos, Potter também foi
um dos escolhidos, e, pior ainda, ele não tem a idade necessária.
Para piorar ainda mais, ele terá que se preparar para enfrentar
o seu arquiinimigo, Lord Voldemort.
É bem verdade
que, assim como os livros de J.K. Rowling,
a trama ganha contornos mais ameaçadores. A épica luta entre
o bem e o mal ganha mais ênfase nesse filme graças ao surgimento
de Voldemort. Inclusive, a morte de um dos personagens ajuda
a aumentar a tensão do filme tornando-o mais sombrio e impactante.
Os atores,
no geral, são eficientes e conseguem entrar no personagem
cada um à sua maneira. Miranda Richardson
faz uma pequena atuação no filme, mas nas pouquíssimas vezes
em que surge na telona, ela rouba a cena com sua “ética jornalística”.
Brendan Gleeson, como Olho-Tonto
Moody, também merece ser destacado ao incluir pequenos
gestos, como tiques, e alguns maneirismos. Infelizmente, o
mesmo não pode ser dito dos atores mirins. Radcliffe melhorou
muito em comparação aos seus filmes anteriores, mas ainda
está longe do que seria adequado para o seu papel. Emma
Watson apresenta uma interpretação sofrível e até
mesmo vergonhosa em alguns momentos do longa. Até
Ruper Grint, o melhor dos três, mostra-se fora do
tom do personagem.
Entretanto,
o que faz com que a produção seja decepcionante é a temível
adaptação de Steven Kloves. Ao resumir o
livro em pouco mais de duas horas e meia, o roteirista opta
por escolher passagens desnecessárias que não acrescentam
em nada no filme, e por muitas vezes deixa o espectador, que
não acompanhou o livro, perdido durante a projeção.
Contando com
bons efeitos especiais, Harry Potter e o Cálice de Fogo
é, entre os quatro primeiros livros, o mais sombrio e mais
maduro. Mas quem ocupa esse lugar nas suas adaptações cinematográficas
é o terceiro filme da série que é o único que, ironicamente,
não conta com a presença do antagonista Voldemort. Resta torcer
para que o próximo capítulo da saga consiga diferenciar inocência
de maturidade. Pelo menos, com um pouco mais de eficiência.
Harry
Potter e o Cálice de Fogo
Harry Potter and the Goblet of Fire Inglaterra,
2005
Aventura
(por Marco Paiva em 2005)
Direção:
Mike Newell Roteiro: Steven Kloves
Elenco:
Harry Potter (Daniel Radcliffe)
Hermione Granger (Emma Watson)
Rupert Grint (Rony Weasley)
Lord Voldemort (Ralph Fiennes)
Cedrico Diggory (Robert Pattinson)
Viktor Krum (Stanislav Ianevski)
Fleur Delacour (Clémence Poésy)
Olho-Tonto Moody (Brendan Gleeson)
Rita Skeeter (Miranda Richardson)
Cho Chang (Katie Leung)