O primeiro desenho computadorizado da Disney não é uma obra-prima,
mas também não é uma decepção
Quando surgiram os primeiros
boatos de que havia chances da Pixar se separar
da Disney, a casa do Mickey ficou desesperada.
A empresa responsável por diversos clássicos como A
Bela e a Fera, Aladdin
e O Rei Leão começou a perder terreno
para a sua "concorrente” devido ao sucesso de filmes
como Toy Story, Os Incríveis
e Procurando Nemo. Desde então,
o famoso estúdio vem amargando fracasso atrás de fracasso,
tanto de público como de crítica. Por causa disso, a Disney
desistiu de produzir animações 2D e anunciou que seus futuros
projetos seriam feitos apenas por computação gráfica, atribuindo
a razão de seu fracasso ao visual do filme, e não ao roteiro
que, obviamente, é o primordial.
É devido a
esse fato que tanta especulação se formou em torno do filme
O Galinho Chicken Little. O primeiro
filme computadorizado da Disney tinha que mostrar para todos
que essa má fase da Disney era só passageira e que tinha capacidade
de superar não só os filmes da Pixar, como também da sua maior
rival, a DreamWorks.
Entretanto
o que ocorre no filme não é justamente o que todos esperavam
que fosse. O longa sofre com seu roteiro fraco e mal desenvolvido,
aposta na sentimentalidade barata e no humor escrachado, que
aparenta fazer de tudo para garantir a aprovação do espectador.
Apesar disso, o filme ganha ponto pelos seus personagens extremamente
carismáticos. O galinho do título atrai o carinho do público
com sua atitude agitada, gestos inquietantes e sua pose de
fracassado redimido. Outra pequena pérola é a participação
do especial Peixe Fora D´água que em toda
vez que surge rouba a cena. Com seu silêncio e ingenuidade,
ele lembra o clássico Charles Chaplin.
A produção
conta a história de um pobre galinho que, desacreditado por
todos após dizer que o céu estava caindo, tenta se redimir.
Entra em um time de beisebol para animar o pai e quando tudo
parece dar certo, ele é novamente atingido por uma placa na
cabeça e junto com os seus amigos Hebe Marreca
(vulgo Pata Feia), Raspa do Tacho
e o Peixe, ele resolve tomar uma atitude para salvar o mundo.
Pelo menos
naquilo que foi julgado por muitos como o maior obstáculo
para a Disney, o visual do filme apresenta-se muito bem feito
e mostra que, pelo menos em questão da aparência, a empresa
consegue sair muito bem criativa. A seqüência em que o céu
dá lugar para naves espaciais é capaz de envergonhar produções
assumidamente científicas, e o desenvolvimento do polêmico
pedaço do céu é engenhoso.
Outro fator
que merece um destaque é a dublagem brasileira. Todos os profissionais
fazem muito bem o seu trabalho como Mauro Ramos
na pele do pai do galinho, Cláudio Galvan
na pele do porco Raspa e Guilherme Briggs
em sua participação especial. Até mesmo os atores Daniel
de Oliveira e Mariana Ximenes fazem
um bom trabalho. Mariana já tinha experiência pois dublou
a protagonista de uma série animada, mas Daniel demonstra
seu talento ao incorporar competentemente uma segunda voz
para o animado galináceo.
Por isso pode-se
dizer que a força de O Galinho Chicken Little reside
no carisma dos personagens que ajuda o espectador a achar
graça nas diversas situações em que se encontram. Com o céu
caindo ou não, os estúdios da Disney entrariam em verdadeiro
desepero sem esses simpáticos salvadores.
O
Galinho Chicken Little
Chicken Little
EUA, 2005
Animação
(por Marco Paiva em 2005)
Direção:
Mark Dindal Roteiro: Steve Bencich e Ron J. Friedman
Elenco:
Chicken Little (Zach Braff / Daniel de Oliveira)
Hebe Marreca (Joan Cusack / Mariana Ximenes)
Raspa do Tacho (Steve Zahn / Cláudio Galvan)
Pedro Galo (Garry Marshall / Mauro Ramos)
Raposa Rosa (Amy Sedaris / Sylvia Salusti)
Prefeito Peru Gluglu (Don Knotts / Mário Monjardim)
Sr. Ovelhão (Patrick Stewart / Guilherme Briggs)
Mano Porco Espinho (Mark Dindal)
Treinador Totó (Sérgio Ripper)