O Fantasma da Ópera

Um dos musicais de maior sucesso na Broadway, O Fantasma da Ópera era pra ter sido lançado aos cinemas no início da década de 90. O que dificultou essa adaptação, foi a relação conturbada entre o criador Andrew Lloyd Webber e sua esposa que inicialmente faria o papel da jovem Christine. Agora, depois da retomada que o gênero recebeu graças ao sucesso de Moulin Rouge, e os Oscars de Chicago, era inevitável que essa grande história também fosse ser transposta para o cinema. Mas diferentemente de seus antecessores, o maior problema de O Fantasma da Ópera é o seu carisma. O longa não tem a mesma atração que o espetáculo teatral tem.

A trama se desenvolve em cima de Christine, uma corista órfã que toma aulas de música com seu professor, o fantasma do título. A fim de levá-la ao estrelato, o seu amigo, considerado por ela um anjo da música, faz com que La Carlotta (Minnie Driver), uma mimada e exigente soprano, desista do papel principal e deixa espaço para Christine cantar. O fantasma percebe que a jovem se apaixona pelo amigo de infância, Raoul, e decide tomar algumas providências para que a sua protegida não o abandone.

O diretor Joel Schumacher, responsável pela produção carnavalesca de Batman e Robin, não tem problemas para trabalhar no estilo do filme. Esteticamente perfeito, seu figurino, direção de arte e efeitos especiais acertam em cheio. E esse é justamente o seu problema. O visual é supervalorizado enquanto faltam alguns elementos na composição do trabalho. Um bom exemplo é o medo que as pessoas sentem pelo fantasma. Ele é martelado diversas vezes na cabeça do espectador, mas não dá pra sentir esse terror diante do enlouquecido personagem de Gerald Butler. Percebemos seus assassinatos, seus atos cruéis, mas falta a emoção diante dessa atuação insossa.

Em compensação, a protagonista Emmy Rossum é uma ótima atriz, e sempre que surge em cena, um ar de ingenuidade a acompanha o que confirma sua competência. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito sobre o inexpressivo Patrick Wilson.

Outro ponto negativo é a questão da duvidosa deformidade do fantasma. É incrível como a máscara esconde todo o defeito do personagem, já que nos musicais, inclusive no brasileiro, dá para ver partes da sua distorção. Sem contar com o fato de que há muito de A Bela e a Fera. Schumacher não tem medo de imitar, seja na simbólica rosa, como no conflito por amar ou não uma criatura horrenda.

Com músicas empolgantes e boas interpretações coadjuvantes, o furo de O Fantasma da Ópera fica na falta do feeling que o musical ostenta. Tomara que esse não seja o mesmo destino de outros sucessos como Cats e Oklahoma se, por acaso, forem refilmados.

O Fantasma da Ópera
The Phantom of the Opera

EUA, 2004
Musical

(por Marco Paiva em 2005)

Direção: Joel Schumacher
Roteiro: Andrew Lloyd Webber e Joel Schumacher

Elenco:
Fantasma (Gerard Butler)
Christine Daaé (Emmy Rossum)
Visconde Raoul de Chagny (Patrick Wilson)
Carlotta (Minnie Driver)

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