Animação
segue os acertos – e erros – do gênero para se adequar ao
gosto do público
Há quem diga que continuações
são desnecessárias: além de sujar a imagem do predecessor,
elas surgem como um meio fácil de aproveitar o sucesso da
franquia. A Era do Gelo 2 consegue,
em parte, quebrar esse conceito. Tudo que era erro no primeiro
filme, vira acerto nesta seqüência, como a animação melhor
desenvolvida. E tudo que era acerto no primeiro, vira erro
nesta continuação: como a ausência de um bom roteiro e de
desenvolvimento dos personagens.
Na produção
anterior, era agradável observar como diferentes personalidades
reagiam a um específico assunto – a entrega de um bebê humano
para sua tribo. Enquanto a esperta preguiça Sid
(John Leguizamo na versão original e Tadeu
Mello na nacional) utilizava a criança para conquistar
uma fêmea, o rabugento mamute Manny (Ray
Romano / Diogo Vilela) percebia
que, sem ela, a família humana ficaria desmembrada, trauma
que o próprio personagem vivenciou. Interessante também notar
que, a presença do bebê, conseguiu modificar a natureza do
tigre Diego (Denis Leary
/ Márcio Garcia) que, junto aos demais personagens,
sentiu-se integrado a um grupo que rejeita uma classificação
hierárquica ao contrário de seu antigo bando felino.
Entretanto,
nada disso faz parte de sua continuação. Enquanto o singelo
drama familiar permeava a história anterior, a questão da
sobrevivência marca presença no segundo, como a extinção dos
mamutes e as conseqüências do aquecimento global. Vale a pena
notar que, essa luta pela sobrevivência, também pode ser aplicada
fora do filme. Carlos Saldanha, o diretor brasileiro, hesita
em fazer um profundo discurso ecológico e em criticar os problemas
da questão ambiental, mas não titubeia ao criar esquecíveis
gags físicas e a tão familiarizada referências a
clássicos. Atributos considerados essenciais para conquistar
o público, mas que na verdade fazem distanciar espectador
de personagem.
O que salva
o filme da monotonia e da mesmice que habita o mercado competitivo
da animação é a presença do carismático esquilo Scrat.
Assim como no primeiro filme, o personagem luta para conseguir
a posse de sua tão sonhada noz – e passa todo filme tentando
concretizar seu sonho. O visual caricaturizado e a atitude
elétrica acertam em homenagear os nostálgicos clássicos da
Hannah Barbera.
O filme conta
a história do que acontece com o grupo do primeiro filme quando
descobrem que o degelo está por vir. Em pleno aquecimento
global, Manny, Diego e Sid tentam escapar da inundação e acabar
com a extinção dos mamutes ao encontrar a fêmea Ellie
(Queen Latifah / Cláudia Jimenez)
que acredita ser um gambá por ter sido criada ao lado de Crash
e Eddie. Inclusive, a dupla de roedores consegue,
com sucesso, suprir as necessidades de um personagem carismático
quando Scrat não aparece na telona.
Em tempos onde
a animação computadorizada apela para uma fórmula cada vez
mais previsível, A Era do Gelo 2 não foge a regra.
A vontade de aproveitar o sucesso do original pesou mais do
que a de provar a criatividade e competência do estúdio e,
para sobreviver no mercado competitivo de animação, é necessário
saber conciliar os dois fatores. Algo que, definitivamente,
não ocorre com a produção.
A
Era do Gelo 2
Ice Age: The Meldown
EUA, 2006
Animação
(por Marco Paiva em 2006)
Direção:
Carlos Saldanha Roteiro: Jon Vitti
Elenco:
Manfred (Ray Romano / Diogo Vilela)
Sid (John Leguizamo / Tadeu Mello)
Diego (Denis Leary / Mácio Garcia)
Ellie (Queen Latifah / Cláudia Kimenez)
Crash (Sean William Scot)
Eddie (Josh Peck)
Tony (Jay Leno)