Drama
de Zhang Yimou revela que, mesmo na guerra, há espaço para
o amor
Zhang Yimou é
considerado um dos melhores diretores do oriente. Seu currículo
carimbado de diversas premiações, como o BAFTA, Festival de
Cannes, Veneza, Berlim, entre outros, comprova a sua competência.
Geralmente, o fator que causa essa admiração é o seu visual.
Antes de ser cineasta, Zhang era um fotógrafo, o que explica
as suas produções serem consideradas esteticamente perfeitas.
Além de serem tão bonitos, seus filmes também discutem questões
políticas, algo que, se trabalhado bem, consegue envolver
ainda mais o espectador e evidenciar as falhas da sociedade.
Herói é um bom exemplo. Porém, isso
não é o mesmo que ocorre com o seu novo trabalho, O
Clã das Adagas Voadoras.
A dinastia
Tang está em declínio. Diante de tantos conflitos que assolam
a China, um grupo rebelde, auto intitulado Clã das Adagas
Voadoras, luta contra o governo. Na esperança de abolir essa
desordem, dois soldados do exército oficial resolvem capturar
o líder desse partido. O único meio de chegar até ele é ganhando
a confiança da cega Mei (Zhang Ziyi)
que é, supostamente, uma dos integrantes do grupo. Assim,
Leo (Andy Lau) finge ser
um lutador e resolve ajudá-la a retornar ao Clã, enquanto
Jin (Takeshi Kaneshiro)
os segue escondido. O imprevisto fica por conta da paixão
que acabam sentindo pela revolucionária e o problema que isso
trará para ambos.
A fotografia
de O Clã das Adagas Voadoras é majestosa, sem dúvida
nenhuma. Os personagens parecem ser figuras de um quadro plasticamente
harmonioso e perfeito. Porém, o íntimo se torna vazio, já
que ele se empenha em mostrar apenas a trama romântica e parece
esquecer do contexto político que poderia ser abordado. Por
isso que após as reviravoltas, o clímax do filme se concentra
apenas no desenrolar do triângulo amoroso e utiliza elementos
shakesperianos como matar ou morrer por amor.
Inclusive a
obsessão por maravilhar o espectador visualmente acaba estragando
o potencial do filme. Como, por exemplo, o jogo do eco e um
número musical feito por Mei. Tudo é muito bonito, mas descartável
pra narrativa.
Felizmente,
as atuações dos protagonistas contam pontos a favor para a
produção, com destaque para a talentosa Zhang. Os personagens
por mais hábeis que sejam, sofrem intensivamente no seu interior.
Até os cenários colaboram para a transformação dos combatentes.
Se no início todos eles tinham suas personalidades e características
bem definidas como as cores do outono, no final, surgem com
profundas dores e perdas em um frio ambiente de inverno.
Apesar de não
ser tão bom quando seu predecessor, O Clã das Adagas Voadoras
agrada os fãs do estilo e aos apaixonados de plantão. Lembrando
que mesmo tendo dificuldades de arranjarem distribuidores
aqui no ocidente, eles conseguiram se firmar no circuito brasileiro
como um dos mais assistidos. Provando que, por melhor que
poderia ter sido, uma história de amor é sempre bem vinda.
O
Clã das Adagas Voadoras
Shi Mian Mai Fu
China, 2004
Ação
(por Marco Paiva em 2005)
Direção:
Zhang Yimou Roteiro: Zhang Yimou, Li Feng e Wang
Bin
Elenco:
Jin (Takeshi Kaneshiro)
Leo (Andy Lau )
Mei (Zhang Ziyi)
Yee (Song Dandan)