A Casa de Cera

A atual safra de filmes que Hollywood vem tendo é de se decepcionar. Quando surge alguma produção acima da média, ela já é aclamada e considerada excelente, como O Chamado. O problema é que os produtores ou diretores não fazem nada para alterar essa situação. Mais filmes ruins entram nos circuitos de cinemas e mais entristecem os espectadores. A Casa de Cera é uma real comprovação disso. Um trabalho apenas mediano que colhe diversas críticas negativas. O maior problema trata-se de sua premissa mais que batida. Adolescentes que se perdem em uma cidade perdida e abandonada, e depois de um tempo sofrem nas mãos de um serial killer.

Alguns dos pontos negativos no filme são a respeito dos diálogos. As falas trocadas entre os personagens são sofríveis. Para citar uma delas, pode-se usar como exemplo a frase martelada diversas vezes: “Eu sou o gêmeo mal, e você, o bom”, que é simplesmente ridícula. Outro ponto negativo é a falta de personagens carismáticos. O Wade, namorado da protagonista, é praticamente um estúpido. Invade os lugares, mexe nos pertences dos outros, e quando é pego no flagra, alega que a porta estava aberta. Com essas atitudes, acabamos torcendo pela morte dele, quando na verdade deveríamos sentir justamente o contrário.

Entretanto, o filme funciona em suas cenas de terror. Desmembramentos, decapitações, e o processo em que um dos personagens vira uma das estátuas de cera são seqüências tensas. Sem pudor, o diretor do filme apresenta um sadismo que é a melhor qualidade desse filme. Já que depois de tantos erros, o mínimo a ser conseguido eram esses climas tensos.

A Casa de Cera ainda consegue resgatar algumas das características típicas dos filmes Bs. A cena em que um casal de bebês de cera é dividido ao meio parece ter sido retirada dos estilos de filmes que deu origem a essa produção. Pode ser incrível, mas esse novo trabalho é uma refilmagem do clássico Museu de Cera, que a única coisa em comum é justamente... Um museu de cera.

Mas o mais comentado a respeito do filme é a participação da socialite Paris Hilton, herdeira de uma rede de hotéis. Pode-se dizer que a atuação da loira foi apenas razoável. Presa ao estereótipo das mocinhas de terror, ela não consegue fazer nada além de correr, gritar e fugir, e acaba não comprometendo o filme.

Conclui-se então que A Casa de Cera até consegue sair preservada. O filme não decepciona – se você desconsiderar o gancho para a continuação – e cria um clima pesado que ajuda o espectador a se envolver com os assassinatos criativos e intensos. Pelo menos nisso, a produção consegue se apresentar original.

A Casa de Cera
House of Wax

EUA, 2005
Terror

(por Marco Paiva em 2005)

Direção: Jaume Collet-Serra
Roteiro: Chad Hayes e Carey Hayes

Elenco:
Carly Jones (Elisha Cuthbert)
Nick Jones (Chad Michael Murray)
Bo / Vincent (Brian Van Holt)
Paige (Paris Hilton)
Wade (Jared Padalecki)

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