Carros
não é o melhor desenho da empresa Pixar, mas ainda sim está
acima da média
Quando uma empresa é responsável pelo lançamento de filme
muito bons, elas tendem a ser pressionadas em manter esse
status tanto pelo público, quanto pelos produtores, e com
a Pixar não podia ser diferente. A empresa de John Lasseter
é dona de filmes que foram sucessos de bilheteria e de crítica
como Procurando Nemo, Os
Incríveis e Toy Story.
Manter esse prestígio e provar que ainda possuem o “dom de
contar histórias” era o que a Pixar pretendia mostrar em seu
novo filme Carros. Entretanto, o
filme não conseguiu o efeito desejado e foi intitulado por
muitos como a ovelha negra da empresa.
O longa conta
a história do Relâmpago McQueen (na versão original, Owen
Wilson, e na nacional, Marcelo Garcia), um jovem e egoísta
carro de corrida que ambiciona a vitória da Copa Pistão. Indo
a caminho para a corrida final, o jovem se perde e acaba parando
em Radiator Springs, uma cidadezinha do interior. Preso por
maus tratos à cidade, Relâmpago tem que corrigir os erros
físicos que causou para a cidade e corrigir seus conflitos
internos, como a sua ambição e prepotência exacerbada.
De fato, o
que mais foi criticado em Carros foi o seu roteiro,
que em alguns momentos apela para a sentimentalidade, e demora
a seduzir o espectador para se envolver com a história. Outro
detalhe que merece ser levado em conta é a construção de personagens,
a mais fraca dos filmes da produtora. O protagonista, pelo
simples fato de ser egoísta e prepotente, já dificulta na
identificação do público em relação ao seu personagem. O que
ocorre com Relâmpago, porém, é uma total ausência de carisma.
Em vez de ressaltarem o lado sarcástico do personagem para
auxiliar nesse fator, os roteiristas apostam em um tique irritante
que o distancia da audiência. Muito diferente do jovem e prepotente
rei Kuzco, de A Nova Onda do Imperador.
Outro personagem que soa cansativo é o extremamente forçado
caminhão reboque Mate, que sofre todos os estereótipos possíveis
do gênero.
Apesar dessas
severas revisões negativas, há um fator positivo para o filme:
a animação extremamente bem feita. A atenção dada pela empresa
para pequenos detalhes como grãos de asfalto na pista de corrida,
e moscas em forma de pequenos fuscas, impressiona a todos.
Ver uma caminhonete se espreguiçando, ou até mesmo dançando,
se torna um passatempo agradável nas mãos dos talentosos animadores
da produtora.
Outro fator
positivo do filme é a trilha sonora composta por Randy Newman
que acerta ao homenagear os clássicos dos anos 50 e início
dos 60 com a faixa “Route 66” de Chuck Berry e “Sh-Boom” de
The Chords. A regravação do sucesso de 1991 “Life is a Highway”,
na voz de Rascal Flatts, e o pop-rock “Real Gone”, de Sheryl
Crow, também foram uma boa aposta. Mas é o estilo country
que marca presença durante o longa, como “Our Town” de James
Taylor e “My Heart Would Know” de Hank Williams. Brad Paisley
também não decepciona com a sua “Behind the Clouds”, uma nostálgica
ode à vida no interior.
Contando com
uma nostálgica e agradável trilha sonora composta por Randy
Newman, Carros, com o perdão do trocadilho, derrapa
no início, mas consegue recuperar o controle antes do término
do segundo ato. Por causa desses pequenos deslizes, a produção
não figura entre os três primeiros lugares da lista de melhores
filmes Pixar. Entretanto, quando comparado com outras animações
atuais, o filme tem fôlego o suficiente para vencer muitas
corridas.
Carros
Cars
EUA, 2006
Animação
(por Marco Paiva em 2006)
Direção:
John Lasseter Roteiro: Dan Fogelman e Dan Gerson
Elenco: Relâmpago
McQueen (Owen Wilson / Marcelo Garcia)
Mate (Larry the Cable Guy / Mário Jorge)
Sally (Bonnie Hunt / Priscila Fantin)
Doc Hudson (Paul Newman / Daniel Filho)
Luigi (Tony Shalhoub / Garcia Jr.)
Chick Hicks (Michael Keaton / Samir Murad)