Batalha política

Ao recriar uma luta contra o comunismo, George Clooney ainda acha tempo para criticar o jornalismo atual e temas polêmicos como a liberdade de expressão


Não há o que questionar: 2005 foi o ano de George Clooney. Mas é só em 2006 que virão as maiores recompensas para o ator, entre elas a sua tripla indicação ao Oscar – diretor, roteirista e ator coadjuvante. Apesar de terem sido suas primeiras indicações, prestígio era o que o ator mais tinha. Entretanto, foi com Boa Noite e Boa Sorte que Clooney firmou-se, ainda mais, em Hollywood.

Sem adotar nenhum orçamento de grande produção, o diretor contou com diversas saídas para baratear o custo de produção. Por exemplo, os atores do filme são todos amigos de Clooney. O ator ligava para seus companheiros e perguntava se esses estavam afim de participar. Outra medida interessante foi a decisão de incluir trechos que mostrem o verdadeiro Edward R. Murrow, personagem interpretado com maestria por David Strathairn. Através dessas imagens de arquivo, a atmosfera do filme envolve o espectador em uma nostálgica viagem aos anos 50.

As atitudes tomadas por Clooney transformam sua produção em praticamente um documentário. Economizando na emoção, a força do filme reside nos longos diálogos criados pelo próprio Clooney com ajuda de Grant Heslov.

O filme conta a história do jornalista Murrow (Strathairn) que, junto com sua equipe, fez o possível para denunciar os feitos do senador Joseph McCarthy que incentivou a caça a supostos comunistas nos EUA no início da década de 50. A paranóia era tamanha, que um tenente foi expulso da Aeronáutica norte-americana por causa de denúncias anônimas envolvidas com a situação política de seu pai. Através de seus programas, Person to Person e See it now, o âncora de TV era conhecido pela sua reputação que consistia em buscar a verdade sempre. Junto com seu produtor Fred Friendly (Clooney, mais uma vez), o jornalista preparava matérias relacionadas a qualquer atitude duvidosa tomada pelo senador. Como decorrência, o próprio político o acusou de ser comunista.

A história não é totalmente desconhecida, mas a escolha por um tema tipicamente americano tira um pouco da força de Boa Noite e Boa Sorte. Mas o cineasta não teme: de acordo com suas recriações, Clooney deixa no ar um desejo de que o jornalismo atual se espelhe no daquela época, em que ética e integridade era nada menos do que a obrigação deles. E ele está totalmente certo.

Boa Noite e Boa Sorte
Good Night, and Good Luck

EUA, 2005
Drama

(por Marco Paiva em 2006)

Direção: George Clooney
Roteiro: George Clooney e Grant Heslov

Elenco:
Edward R. Murrow (David Strathairn)
Joe Wershba (Robert Downey Jr.)
Shirley Wershba (Patrícia Clarkson)
Fred Friendly (George Clooney)
Don Hollenbeck (Ray Wise)
William Paley (Frank Langella)
Sig Mickelson (Jeff Daniels)

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